sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Metrô volta aos trilhos

22/10/2010 - Correio Braziliense

Após uma longa reunião mediada pelo Ministério Público do Trabalho, membros da Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) e do Sindicato dos Metroviários (SindMetrô-DF) firmaram um acordo. Difícil foi convencer os trabalhadores a votar pelo fim da greve, que entraria no terceiro dia hoje. Na assembléia de ontem à noite, na Praça do Relógio, em Taguatinga, pairou a indecisão. Entretanto, ao fim das negociações, a votação apontou 90% à favor do fim da grave, e 10% contra. Assim, os 160 mil usuários diários do transporte voltam a ter todos os trens à disposição a partir de hoje.

Uma das principais reivindicações dos metroviários era a convocação dos cerca de 200 aprovados em concurso público cuja validade expiraria no dia 25 deste mês. Contudo, o sindicato se contentou com a convocação de 90 - referentes ao cadastro de reserva. Serão 40 vagas para piloto e 50 para agente de estação. "Foi contratado todo o cadastro de reserva. Queríamos ir além, mas o Ministério Público entendeu que seria uma medida ilegal", justificou o secretário de Assuntos Jurídicos do SindMetrô, Anderson Munhoz Ferreira.

De acordo com a Companhia do Metropolitano, a reunião serviu para esclarecer pontos que ainda geravam dúvidas, mas não houve alterações significativas nas propostas. Ponto de contradição entre o sindicato e o Metrô, uma possível redução salarial foi amplamente discutida durante o encontro. A empresa afirma ter deixado claro, durante a audiência, que não há intenção de diminuir os salários com a redução da carga horária de 40h para 30h semanais. Como anteriormente divulgado pelo Metrô, a nova carga horária de trabalho, a partir de 1º de novembro, terá caráter experimental por 90 dias, sem encolhimento da remuneração. Uma modificação nos salários será avaliada por uma comissão ao fim do prazo de três meses.

"A reunião de hoje (ontem) se resume a um compromisso, que tem valor. Nós avançamos em várias questões, como o plano de carreira", afirmou o diretor de Saúde do Trabalho do SindiMetrô, Luciano Soares Costa. "A ideia inicial do Metrô era implantar um novo plano, que foi construído de forma unilateral e iria trazer muitos prejuízos para a categoria. Ele previa a unificação de cargos, mas só vai ser aplicado quando tiver o registro legal no Ministério do Trabalho e Emprego", esclareceu o coordenador geral do sindicato, Israel Almeida Pereira. O Metrô-DF se comprometeu a criar comissões de estudo para avaliar as demais reivindicações da pauta dos metroviários que ficaram pendentes.

Movimento

Os usuários encontraram as estações cheias ontem, mas, segundo a assessoria de imprensa do Metrô, a situação era semelhante à de dias normais. A empresa informou ainda que não houve registros de confusão, nem problemas em nenhuma estação. A reportagem do Correio esteve na Estação Central, na Rodoviária do Plano Piloto. Às 18h, a plataforma estava abarrotada de gente, entretanto, o fluxo entre os vagões de diferentes regiões administrativas era de 15 em 15 minutos. Entre trens que faziam um mesmo trajeto, o tempo de espera do usuário era de 30 minutos.

Para amenizar os transtornos com a falta de trens, o Transporte Urbano do DF (DFTrans) colocou 240 ônibus a mais circulando em Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras, Samambaia e Guará. Os carros paravam em frente às estações e, nos horários de pico, saíam lotados.

Preparados para mais um dia de transtorno, os usuários do metrô deram prioridade, ontem, a carros e ônibus em vez de pegar os trens. Com isso, o movimento nas estações foi bem menor do que no primeiro dia. Além disso, quem insistiu em ir para o trabalho de metrô, saiu mais cedo, na tentativa de amenizar o atraso provocado pela demora do sistema. O Correio, mais uma vez, utilizou o meio de transporte. Em Ceilândia Centro, às 8h, o movimento estava mais crítico. Um senhor que entrou em um vagão lotado chegou a ficar com o braço preso, mas não se feriu.

Atrasos

Mesmo com a situação mais tranquila ontem, muita gente ficou revoltada. A babá Elma Macedo da Silva, 35 anos, moradora de Samambaia Sul, contou que, com o número reduzido de trens e funcionários, chegaria ao trabalho às 8h, com 1h de atraso. "Não tem ônibus daqui para o meu trabalho. Além disso, quando chegamos na estação, é um empurra-empurra. Essa falta de respeito que passamos é culpa do governo. Pago impostos e passagem. Quero dignidade. Acho que os funcionários têm todo o direito de se manifestar. O governo tem que garantir o metrô", protestou.

Não visão do coordenador do SindMetrô, Israel Almeida Pereira, a greve é um sacrifício para uma melhoria contínua do sistema. "Hoje estamos deficitários. Se não prepararmos o metrô para a população, não teremos quem preste os serviços. Dessa forma, o transtorno será contínuo", disse. Israel também afirmou que 25% das estações estão sem segurança. "É preciso chamar os concursados", completou.

O Metrô-DF alegou, por meio da assessoria de imprensa, que poderia esgotar o cadastro reserva de aprovados no concurso de 2009, mas que não há dinheiro para chamar todos os aprovados. O processo de seleção expira no próximo dia 25. A empresa ressaltou que a greve é apenas de pilotos, enquanto o sindicato insiste que o movimento engloba todos os funcionários. Os dois lados participaram de uma audiência no Ministério Público do trabalho às 14h de ontem e terão outra sessão no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na próxima segunda-feira.

Moradores pedem segurança

Cerca de 200 moradores percorreram ontem as ruas do Itapoã, acompanhados de um carro de som e empunhando cartazes que pediam mais segurança. A manifestação ocorreu como repúdio ao assassinato do motorista de ônibus Elinaldo Ribas Pires, morto com um tiro na cabeça no coletivo que dirigia no último dia 12. Familiares do motorista e de outras vítimas da violência na região também participaram do protesto. Quatro integrantes do grupo foram à Administração Regional do Itapoã pedir providências, enquanto o restante aguardou do lado de fora. De acordo com Mírian Santana, uma das líderes do movimento, foi entregue um documento com pedido de aumento do policiamento ostensivo. Segundo ela, representantes da administração se comprometeram a entregar o documento ao administrador.

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