domingo, 18 de junho de 2017

Documentação incompleta faz GDF perder R$ 415 milhões para transporte

18/06/2017 - Metrópoles

Felipe Menezes/Metrópoles

Ministério das Cidades afirma que GDF perdeu prazo. Dinheiro seria usado para compra de trens, VLTs e conclusão de estações de metrô

Larissa Rodrigues

Com problemas estruturais e gigantescos gargalos no transporte público, o Distrito Federal ainda se dá ao luxo de desperdiçar dinheiro que poderia amenizar o transtorno de quem depende do sistema de ônibus e metrô diariamente. O governo federal liberou R$ 415 milhões para o GDF comprar 10 trens para a Linha 1 do Metrô-DF — que atende Samambaia, Ceilândia, Taguatinga, Guará e Plano Piloto —, 10 veículos leves sobre trilhos (VLTs) e concluir as obras das estações das quadras 104, 106 e 110 Sul.

No entanto, esse dinheiro não chegará aos cofres públicos da capital porque o governo local não entregou a papelada a tempo. O prazo expirou e não há mais como conseguir os recursos. “Era um conjunto grande de empreendimentos selecionados há mais de um ano, mas alguns entes federados não conseguiram apresentar a documentação necessária para a contratação. Foi o que ocorreu com esses empreendimentos do Governo do Distrito Federal”, afirmou o Ministério das Cidades ao Metrópoles.

Ainda de acordo com a pasta, os valores seriam repassados da seguinte maneira: R$ 220 milhões para comprar os trens, R$ 120 milhões para os VLTs e outros R$ 75 milhões para as obras das estações metroviárias.

Secretaria contesta informações do Ministério

Questionada sobre a perda dos recursos federais, a Secretaria de Mobilidade negou que o GDF tenha cometido falhas. A pasta alega que enviou toda a documentação necessária e culpa a Caixa Econômica Federal (CEF) pelo entrave.

“O Governo do Distrito Federal esclarece que entregou toda a documentação e projetos necessários para a contratação de crédito junto à Caixa Econômica Federal (agente financeiro que valida o processo antes da liberação de recursos), em 26 de agosto de 2015. Tratou, também, de atualizar as certidões em dois outros momentos daquele ano: agosto e novembro. Desde então, não houve resposta da Caixa sobre a análise da documentação”, afirmou a secretaria, por meio de nota.

Caixa contesta informações do GDF

A Caixa, por sua vez, afirmou ao Metrópoles que a papelada apresentada pelo GDF estava incompleta. Em novembro de 2015, foi entregue parte da documentação técnica de engenharia necessária para a análise preliminar do empreendimento. Contudo, era preciso complementar o material para finalizar a análise técnica e a operação poder ser aprovada. No período decorrido entre a solicitação dos documentos complementares e a apresentação pelo GDF, a análise venceu”, informou o banco.

Sem os R$ 415 milhões, o GDF pode ver naufragar a tentativa de ampliar a malha subterrânea pouco mais de uma semana após sonhar com a retomada do projeto. No último dia 6, a Companhia do Metropolitano anunciou a reabertura do processo de licitação para estudos de expansão da Linha 1.

A empresa pretendia destinar R$ 497 mil para análise estrutural, investigações geológicas e geotécnicas das obras. Na ocasião, o Metrô afirmou que as construções seriam iniciadas com a liberação de recursos do Ministério das Cidades. Agora, o futuro do empreendimento está incerto.

Delação premiada

A expansão do metrô voltou ao noticiário quando foram tornadas públicas as delações premiadas de executivos da Andrade Gutierrez. Segundo Rodrigo Ferreira Lopes da Silva, ex-diretor da empreiteira, antes mesmo de ser eleito, em 2006, o então candidato ao GDF José Roberto Arruda (ex-DEM, hoje PR) procurou a empresa para pedir propina. Arruda teria pedido R$ 500 mil e como contrapartida ofereceu um “cardápio” de grandes obras para a Andrade Gutierrez tocar.

Os empreendimentos incluíam o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre o Aeroporto e a W3 Sul; a Avenida Interbairros, que ligaria o Setor Policial Sul a Samambaia; o Contorno Rodoviário de Brasília; uma adutora na bacia do Rio São Bartolomeu; o Bus Rapid Transport (BRT) da EPTG, que funcionaria em Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras e Guará; o BRT Sul, que liga Santa Maria e Gama ao Plano Piloto; e a ampliação do metrô para Ceilândia, Samambaia e o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). No entanto, apenas as duas últimas foram executadas, ainda que parcialmente, no caso do metrô.

Já o ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e o ex-vice Tadeu Filippelli (PMDB) teriam recebido R$ 8 milhões em propina para garantir à Andrade Gutierrez as obras do BRT Sul, que liga Santa Maria e Gama ao Plano Piloto. No último dia 23, a Polícia Federal prendeu  Arruda, Agnelo e Filippelli, na Operação Panatenaico, que investiga desvios nas obras do Mané Garrincha. No entanto, todos já estão em liberdade.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Metrô reabre licitação para estudos de expansão da Linha 1

07/06/2017 - Metrópoles

Ideia é avaliar a construção de duas estações em Ceilândia, duas em Samambaia e uma na Asa Norte. No entanto, não há previsão para as obras

João Gabriel Amador

A Companhia do Metropolitano anunciou a reabertura do processo de licitação para estudos de expansão da Linha 1 do Metrô-DF. A empresa destinará R$ 497 mil para análise estrutural, investigações geológicas e geotécnicas para as obras.

“As obras de expansão compreendem 6,6 km de via e construção de cinco novas estações, sendo duas em Ceilândia; com 2,3 km de via; duas em Samambaia, com 3,7 km de via; e 800 metros na Asa Norte (Área Central até as proximidades da Galeria do Trabalhador)”, informou a companhia, em nota.

Conforme publicado no Diário Oficial do DF de segunda-feira (6/6), as empresas interessadas em prestar o serviço devem encaminhar os envelopes com as propostas até 20 de junho. O contrato terá vigência de seis meses.

Apesar do novo passo, a expansão das linhas ainda não tem uma data definida. Segundo o Metrô-DF, “não há previsão para o início das obras, que dependem de liberação de recursos do Ministério das Cidades”.

Obras pendentes

Além da expansão, o Metrô-DF planeja finalizar projetos já iniciados, caso das estações 104, 106 e 110 Sul. A empresa argumenta que aguarda repasse de recursos pelo governo federal para lançar o edital de licitação.

No caso das estações da Estrada Parque e Onoyama, o processo ainda está em fase inicial. Os projetos preveem a instalação de polos comerciais, ainda em fase de estudo, e deverão ser concluídos por meio de uma concessão pública.

Mais próxima de ser concretizada, a reforma da Estação Arniqueiras conta com edital de licitação para contratação de empresa responsável pela obra. O Metrô-DF também assinou contratos para modernização da telefonia, radiotelefonia, sonorização e sistema de transmissão de dados.

Por fim, deve sair do papel, ainda neste ano, o Sistema de Energia Solar Fotovoltaica na Estação Guariroba. O Metrô-DF informou que contratou a empresa para aquisição, montagem e instalação do equipamento que, segundo a companhia, deve começar a funcionar em outubro.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Gasto com manutenção cai, e falhas no metrô do DF disparam em 2016

04/02/2017 - G1 DF

Levantamento exclusivo do G1 mostra que problemas 'notáveis' em vagões aumentaram 14,86% entre 2015 e 2016. Verba caiu quase pela metade no período; 'mudanças de contrato', diz diretor.

Gasto com manutenção cai, e falhas no metrô do DF disparam em 2016 Gasto com manutenção cai, e falhas no metrô do DF disparam em 2016

Por G1 DF

Com a passagem mais cara de todo o país, o metrô do Distrito Federal teve os serviços interrompidos por pelo menos 54 vezes em 2016. Relatório obtido com exclusividade pelo G1 revela que o número de "incidentes notáveis" – quando os vagões param por mais de 15 minutos em horário de pico, ou 20 minutos em horário normal – aumentou 14,89% em relação a 2015.

Ao mesmo tempo, o investimento em manutenção foi reduzido quase pela metade. Em 2015, foram 47 incidentes notáveis, e o Metrô empregou R$ 99 milhões na manutenção. Em 2016, o valor usado para o mesmo tipo de serviço foi de "apenas" R$ 45 milhões.

Em entrevista ao G1, o diretor de Operação e Manutenção do Metrô-DF, Carlos Alexandre da Cunha, admitiu o aumento de falhas significativas. Mas, segundo ele, a soma total de falhas teve redução de 25%. O diretor também afirmou a diminuição do valor gasto em manutenção não quer dizer "que o investimento foi menor”.

De acordo com gestor, a diferença entre os contratos para manutenção do metrô se deve ao fato "provavelmente dos contratos anteriores, que já estão sendo judicializados, apresentarem sobrepreço". "Nos contratos de agora, esse é um preço real", disse.

“Passamos por três transições de contrato. Quando se tira um grupo de empresas e coloca outras para gerenciar isso traz realmente um prejuízo. Além disso, nosso sistema é obsleto.”

Cunha diz ter "esperança" de que a situação melhore em 2017. Segundo ele, o Metrô do DF assinou quatro contratos no valor de R$ 20 milhões para investir na modernização dos sistemas de transmissão de dados, telefonia, rádio e sonorização – o que deverá, segundo ele, melhorar a prestação de serviço.

Apesar da previsão de Cunha, o metrô já apresentou falhas de longa duração em 2017. Na última quinta-feira (2), um problema deixou o serviço interrompido por 40 minutos. Segundo a direção, uma falha no sistema de transmissão de dados impediu o funcionamento regular nas estações Asa Sul e na região da Estrada Parque. Fora da área afetada, a estação Central teve o embarque suspenso.

Em janeiro, o sistema também apresentou problemas. Na manhã do dia 11, uma falha de sinalização provocou atraso no embarque de passageiros. Segundo a companhia, a situação ocorreu entre as estações Arniqueiras e Águas Claras, atrapalhando o fluxo de trens entre 7h e 8h.

Aumento da passagem

Desde 2 de janeiro deste ano, a passagem do metrô custa R$ 5 no DF. A tarifa subiu R$ 1 no primeiro dia útil de 2017, valor que corresponde a uma alta de 25%. O governo diz que o reajuste foi necessário para continuar custeando a gratuidade de estudantes e pessoas com deficiência. A mudança causou protestos de passageiros e de deputados.

Questionado se uma viagem de metrô "valeria" os R$ 5 pagos no DF, frente ao alto índice de problemas, o diretor disse que o preço do tíquete ajuda a diminuir o subsídio pago pelo governo. Segundo ele, o valor é decidido com base em uma “planilha de custos”.

Com 24 trens, o Metrô funciona entre 6h e 23h30 de segunda a sábado e 7h e 19h aos domingos e feriados. A média é de 170 mil passageiros por dia. O sistema tem 42,3 km de extensão e liga Ceilândia e Samambaia ao Plano Piloto. A estação com maior fluxo é a da Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 30 mil pessoas por dia.